Cé Incandescente - Saulo, Hugo e Hermes

Este urro grave que ecoa no ar,
Não sei se parte de mim,
Ou de outra alma,
Residente sob o calor,
Da minha pele escura.
Localizo o seu ponto de partida,
Dentro de minhas entranhas,
Gritando em partes tão ocultas,
E tão internas que nem eu,
Nem mesmo eu sabia conhecer.
Meu cérebro fala e cria imagens,
Mas meu coração, naturalmente,
Ruge de modo selvagem e doentio.

Como todos os meus, desde sempre,
Tive por obrigação de sangue,
E força da tradição perene,
Aprender todos os ofícios,
Crio harmonias e melodias,
Das políticas, sou instrutor.
Desenho e construo edificações,
De palácios a pontes imensas.
Conheço os segredos da numérica,
Nos processos alquímicos sou mestre,
E no bale das partículas,
Na musica das energias,
Sou um grande maestro .

Como todos os outros nós,
Tudo tive que saber e ver,
Antes de tornar-me adulto,
Antes de fazer meus filhos,
Em minhas mulheres,
Como ensina e ordena,
O Livro Publico das Tradições.
Quando por fim as artes da guerra,
O Código Intenso do Guerreiro,
Foi a mim revelado em sua totalidade.
Minha escolha realizou-se plena,
Soube quem era e o que seria,
Antevi todas as estradas do mundo,
Das quais conheceria a poeira,
Não que alguma diferença houvesse,
Se opta-se este ogli pelas artes,
Ou pelas ciências dos números,
Não existem diferenças entre nós,
Não existem níveis de importância,
A opção é em si só uma escolha,
E entre as áreas podemos todos migrar,
Sem duvidas ou exclamações de espanto,
Portanto seria dizer que estou guerreiro,
Ao invés de Sou um az da guerra,
Mas as tendências nunca deixam de existir,
São tão somente ocultas e cobertas,
E esta talvez seja a única tradução,
Do grande urro em meu peito.
Hugo, o grande Hugo, o sol maior,
Crescia sua exuberância no céu,
Tingindo de vermelho o céu fendido,
Por Angus o menor de ambos,
No alto do firmamento, muito branco,
Criava no segundo alvorecer,
O famoso Horizonte de sangue,
Saulo, acocorado no alto de um morro,
Olhava tenso as ruínas abaixo de si,
Como que sabendo que elas o mudariam,
Como nada antes o havia feito.
Conhecia os moradores mortos,
E, por vezes, acordava com seus fantasmas,
A caminhar pelas beiradas de seu leito,
A farfalhar a folhas caídas,
E o mato ressequido pelo calor,
Do agressivo verão que atravessavam.

Menino, era muito menino,
Quando morreu o ultimo dos homens,
Assim se chamavam a si os seres idos,
(Gritava, Homens, como se o som da palavra,
Fizesse deles seres superiores)
Quanto ria Saulo com Hermes, o Ultimo,
Seu tom superior de ser perfeito,
Seu semblante alvo e superior,
Como que uma caricatura de deus.